Prince, solos de guitarra e Nick Jonas.

A está altura, a notícia da morte do ícone pop Prince já se estende por toda a internet – alcançando inclusive esse blog. Prince Rogers Nelson, 33° melhor guitarrista de todos os tempos pela Rolling Stone, compositor, multi-instrumentista, dançarino e produtor faleceu agora, em 21 de abril de 2016.

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É inegável o talento do músico. Tido como workaholic (tipo um alcoólatra, só que de trabalho), Prince teve uma carreira com alguns pontos baixos, mas sempre exalou qualidade e afinco pelo que amava fazer. É engraçado como toda vez que um músico reconhecidamente bom morre se gera um curto debate sobre a qualidade musical nos dias de hoje. Porém, esse contraste se tornou um pouco mais palpável pois além da infeliz morte do artista, tivemos recentemente o – também infeliz – solo de Nick Jonas no Academy of Country Awards – que acabou estragando toda a performance de dublagem de playback da Kelsea Ballerini. Já que o momento de reflexão está no ar, falemos sobre musica então.

Caso não tenha visto ainda, assista aqui a uma das piores tentativas de solo já presenciadas pelo grande público na história da música:

É, terrível eu sei. Mas ok, vou tentar não demonizar o pobre garoto Jonas e acreditar em sua desculpa sobre isso ter sido um “lapso de memória” o que só expõe mais sua falta de talento vide que o indivíduo não consegue nem improvisar em cima de um solo de sua própria autoria. Até porque Nick Jonas não é o culpado pelo mar de lixo instrumental (aka “Música atual“) que inunda as rádios e o meio pop por ai. O coitado só serviu para exibir como hoje em dia cultuamos ícones sem talento apenas pelo seu verniz social; e a morte de Prince veio a calhar – de maneira lastimável – para dobrar o peso dessa afirmativa.

Por exemplo, peguemos a cantora que Jonas acompanhou na performance, Kelsea Ballerini. É preciso mesmo evidenciar o uso desmedido de playback ali no vídeo acima? Acho que não. E isso só mostra como aqueles que dizem que “os tempos mudaram“, “o estilo musical de hoje é outro” e “a maneira de fazer música mudou” estão errados. Veja bem, pegar uma série de programas e editar aquilo que uma pessoa sem talento fez em um conjunto de sons harmoniosos não é música (note que não tenho nada contra música eletronicamente produzida).

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Nick Jonas melhor modelo do que músico.

Ainda se atendo ao exemplo de Kelsea Ballerini – mesmo que você não acredite e aponte inúmeras provas de que ela não usa playback o que é claro que ela usa – vamos analisar a música Country hoje em dia, sendo este, um dos meus estilos favoritos. Parece óbvia a divergência qualitativa que vemos hoje. É estranho falar que gosto de Country e me perguntarem se gosto da Tailor Swift. Se não me contassem e eu não checasse na internet que como sempre é muito confiável eu jamais saberia que ela é a atual “Princesa do Country“. É sério isso?

Existe uma grande diferença entre lapidar, revolucionar e mudar positivamente um gênero musical e simplesmente falar que toca ele. Tailor Swift não é Country em nenhum lugar desse universo. Se você gosta dela, ok, mas ela é uma cantora de Pop. Ou realmente somos obrigados a aceitar que Tailor Swift é Country alguém já ouviu Bob Dylan? Johnny Cash? Willie Nelson? Alguém!? ou que o mar de músicas ruins que temos por aí não são ruins, é apenas “música contemporânea“? Eu não aceito isso.

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Nunca achei que o “Cry,Cry,Cry” viria a ser pelas músicas do futuro.

Não sou capaz de compreender como o passar de uma geração tem ligação com aceitar produtos de qualidade visivelmente baixa. É como falar que em prol da evolução nós devemos regredir. O solo de Nick Jonas e a atual utilização massiva de Playback é um desacato ao consumidor. É um exemplo da falta de respeito a aqueles que colocaram o artista na posição em que ele está hoje – já que claramente o talento não conta mais para se chegar longe no meio musical.

Na hipótese de que eu esteja errado e realmente exista um “paraíso” e caso nossos queridos músicos partam pra lá, creio que hoje Johnny Cash, Michael Jackson, Lemmy Kilmister, James Dio, David Bowie, Johnny Ramone, Cássia Eller, Sérgio Sampaio, Jimi Hendrix e muitas outras lendas da música choram. Não só pela morte de Prince, mas pela morte lenta e gradual daquilo que amavam fazer: Música.

O mais triste disso é ver grandes nomes partirem e ao olhar para o cenário ver que aqueles a altura para “substituí-los” não tem o devido reconhecimento. Fiquem agora com um dos melhores solos que já ouvi, em uma performance magistral do falecido Prince no Rock And Roll Hall Of Fame em 2004.

Em homenagem a Prince Rogers Nelson, 7/06/1958 – 21/04/2016

R.I.P.

 

 Texto por Josuá Ventura Nobre

 

 

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